Todos nós temos uma arte - uma área do conhecimento pela qual nutrimos mais paixão e que logo se torna um objectivo de vida. Juntando-lhe as manias ou particularidades próprias de cada um, obtemos uma mistura fina de matéria-prima cognitiva que vale a pena partilhar e discutir com os demais. Sob este título, revela-se um grupo de pessoas e um ponto de encontro virtual no qual todas as Artes & Manias têm espaço assegurado.

11 novembro 2008

A "paz podre" faz hoje 90 anos

Hoje a humanidade assinala, e comemora, o fim da "Primeira Guerra Mundial." Foi há noventa anos que se assinou o armistício que poria fim a um conflito que começou em 1914, e que durante quatro anos matou, cerca, de 40 milhões de pessoas.

Quando o conflito termina surge a ideia de criar um organismo que regulasse as relações internacionais, e tentasse prevenir um novo conflito mundial semelhante ao que havia acabado de findar, surge então a "Sociedade das Nações". Sendo uma ideia do presidente dos EUA (Woodrow Wilson), este organismo internacional falha por completo os seus propósitos, no entanto, lança as bases para o que mais tarde nasce com o nome de "Nações Unidas", mas só depois da Segunda Guerra Mundial.

Ficou para a história o conceito de "paz podre", que foi afinal o que se viveu na Europa durante o período entre guerras. Apesar de ser uma ideia do presidente Wilson, os EUA não participaram na "Sociedade das Nações" (o congresso americano vetou a participação do país no organismo internacional), e regressaram a uma nova fase de isolamento internacional, de que só saíram em 1941, aquando do ataque japonês a Pearl Harbor.
Depois da "Primeira Guerra Mundial" a França e o Reino Unido (vencedores) obrigaram a Alemanha (derrotada) a pagar pesadíssimas indemnizações, o que conduziu o país, já destruído pelo conflito, a um enorme abismo económico e social que acentuado pela crise de 1929 ,fez nascer, por todo o país, sentimentos radicais e nacionalistas que colocaram no poder o partido nazi, e aquele que todos conhecemos, Hitler.

Faz hoje noventa anos que a humanidade respirou fundo, para alguns anos depois mergulhar na mais terrível e sangrenta guerra do século XX! Felizmente, os erros cometidos, assim como as coisas boas que se fizeram depois do armistício que hoje comemoramos, foram tidos em conta depois de 1945, o que permitiu fazer perdurar a paz na Europa até aos dias de hoje (com os percalços ocorridos nos Balcãs). Esperemos que o "jovem século XXI" não tenha de viver, assim como todos nós, algo de parecido com o que ocorreu entre 1914-1918, ou entre 1939-1945.

06 novembro 2008

We are living history!

Corria o ano de 2004 e numa das minhas aulas o professor, de nacionalidade americana, nos disse, com a voz e os olhos carregados de emoção: "se Deus quiser e a Constituição dos EUA ainda for o que é, em 2008, finalmente mudamos de presidente!" Acredito sinceramente que este homem está muito feliz, e tal como ele milhões de pessoas, não só nos EUA mas por todo o mundo. Barack Obama surge como umas das maiores surpresas da história, quem diria há uns anos atrás que estaríamos hoje perante a vitória presidencial de um afro-americano nos EUA, o país do "KKK", dos problemas raciais, enfim, um país que travou uma guerra civil onde se discutia, entre outras coisas, o fim ou não da escravatura.

Face à actual conjuntura internacional, o novo presidente norte-americano parece reunir consenso: os países da Europa, e as suas populações, sempre se mostraram favoráveis a ver o candidato democrata na "Casa Branca", o médio oriente deu também sinais de que o novo presidente é bem vindo, até de Cuba, Fidel Castro, considerou recentemente Obama como a "luz ao fundo do túnel". A economia vai certamente "suster a respiração" até perceber o caminho a seguir pela nova administração americana, bem como as relações políticas internacionais, fragilizadas por oito anos de tumultos, esperam que o novo presidente e seus conselheiros sejam muito mais sensatos e menos belicistas do que George W. Bush.

Quanto a mim, fiquei feliz, confesso! Nunca fui fã da administração que vai agora cessar funções, muito menos a favor das suas "guerras contra o terrorismo", pelo médio oriente, que me pareceram sempre desculpas para tratar de outros assuntos muito menos nobres.
Encaro Barack Obama como uma nova e renovada esperança para as "Relações Internacionais" do século XXI. O presidente eleito dos EUA representa só por si a mudança, a mudança de orientação, tem óptimas ideias e parece muito bem rodeado e aconselhado, é jovem e não me parece ter "vícios de poder", se demonstrar no exercício de funções a vitalidade e dinâmica que manteve durante a campanha eleitoral poderemos ter aqui, e acredito que sim, o início de uma nova e, muito interessante, nova era nas "Relações Internacionais", a todos os níveis.

05 novembro 2008

Planos de mobilidade

Na comunidade de planeadores urbanos começa-se a falar da necessidade de introduzir um novo mecanismo de ordenamento do território designado por planos de mobilidade. Actualmente, os planos municipais (PDM; PP e PU) descrevem as necessidades em geral, isto é, projectam-se e sinalizam-se as vias, apontam-se a necessidade de reformulação de paragens de autocarros e o reforço de determinados percursos ou horários, projectam-se pistas de ciclismo, mas são opções isoladas e desta forma não existe um plano conjunto de articulação entre todos os meios de locomoção.

Recentemente a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) organizou um seminário sobre esta temática. Seminário este, que incidiu principalmente sobre a mobilidade em meios de baixa densidade onde os problemas são numerosos. A principal dificuldade sentida nesses meios é a falta de investidores interessados em assegurar os transportes colectivos, por estes não serem rentáveis devida a falta de utentes. Este problema tem sido uma preocupação para os concelhos de baixa densidade e por essa razão estão em elaboração planos de mobilidade para resolver estas questões e tornar este sector sustentável. A UTAD, através do seu grupo de estudos territoriais (GETER), tem desenvolvido sobre requisito de alguns municípios planos de mobilidade.
Era desejável que mais municípios pudessem entender a necessidade de implementar estes mecanismos e que a investigação neste sentido prosseguisse. Era importante caracterizar os meios existentes, identificar os percursos, os horários, as carências sentidas junto da população, as dificuldades sentidas pelos operadores (quando existam), apresentar alternativas e meios mais rentáveis e mais sustentáveis, promover meios inutilizados, identificar corredores importantes de deslocação, rever a sinalização rodoviária existente, fazer o levantamento das barreiras arquitectónicas e apresentar soluções a estas e por fim implementar todas as soluções encontradas, que na maioria dos casos, no que diz respeito ao planeamento não acontece ou pelo menos não na totalidade.

14 outubro 2008

Revolta

Preciso desabafar!
Já frequentei vários centros de saúde por razões de alterações de residência, sejam estas temporárias ou permanentes (bem, mais permanentes ! ) e por todas os que passei tenho histórias para contar que me apertam a garganta como uma forca de tão irritante que as coisas são.
O 1º centro de saúde a que fui, quando quis marcar uma consulta para esse dia responderam-me que só urgências porque para hoje já não havia mais vagas para “os sem médicos”. Eu pensei: preciso de um médico hoje mas não é assim tão grave (para mim as urgências era sinónimo de internamento) mas depois percebi que era a única maneira por isso fui às urgências. Afinal, não tinha aspecto de urgências, tive de esperar horas!!
Da segunda vez, fui marcar vez duas horas antes de abrir a secretária que fazia as marcações para “os sem médicos” e após 2h30 de espera, depois da secretária chegar e organizar a fila, telefona o médico a dizer que não lhe apetecia vir. Afinal, as horas a passar na urgência sempre são urgentes !!!!

Depois fui estudar para fora, mudança de morada, decidi transferir o meu processo clínico para facilitar as consultas. Afinal, era mesmo mudança, a minha casa principal era essa, mas não foi o que acharam os funcionários do centro de saúde! Não pode transferir-se é apenas estudante e é temporário por isso não pode! A minha colega exaltou-se (era mais velha e mais experiente do que eu) e respondeu à funcionária de que não entendia qual era o impedimento e qual era a lei que o impedia? Não tivemos resposta nesse dia, mas mais tarde recebi uma carta em casa da direcção a aceitar a transferência, perceberam? Eu também não! Nesse mesmo centro, vi funcionários a maltratar (verbalmente) idosos, porquê? Não sabiam defenderem-se talvez? Nesse mesmo centro marcavam todas as consultas para a mesma hora e isso 2h antes da médica chegar, ou seja, muitas horas esperávamos e desesperávamos!! Nesse a médica era excelente, muito simpática. Contei-lhe da confusão das marcações, ela respondeu-me que não entendia porque o horário dela era aquele e que não fazia sentido marcar todas as consultas para a mesma hora!!! Enfim...

Mudei de casa. Terceiro centro de saúde. Primeiro dia, inaugurei o livro de reclamação! Cansei de esperar e ser mal atendida sem me defender. Desta vez, a marcação da consulta devia ser pessoalmente e só atendiam os primeiros, ao que eu reclamei a dizer como era possível pedir a alguém doente para se colocar numa fila de espera, ao frio se preciso fosse!? Resposta à reclamação (da direcção do centro de saúde apenas!), são as regras! Não haja dúvidas regras são regras e são feitas por máquinas porque mesmo erradas não podem ser devolvidas! Quando a alergologista me aconselhou a fazer um tratamento que consistia em tomar injecções, cujo valor era elevado mas parte era reembolsado pelo estado, dirigi-me novamente ao centro de saúde. Estava tudo a correr dentro do normal até passarem vários meses e não obtinha o reembolso das injecções. Decidi dirigir-me à tesouraria ao que me responder que era normal para ter paciência. OK! Tive mais uns meses de paciência, voltei lá e pedi qual era a legislação que abrangia esses reembolsos para me informar melhor. Não me foi facultada tal informação, perguntaram qual era a profissão e ...mais nada. Pouco tempo depois estava a receber o postal em casa para ser reembolsada..afinal..era isso..se eu soubesses mais cedo!!!

Voltei a mudar de residência, casei...e agora tenho médico!! Que bom!! Recentemente até aceitam marcar as consultas por telefone ! Óptimo pensei! Precisei e liguei, só aceitamos marcações a partir das 10h da manhã disse-me a secretária, pronto volto a ligar. Então às 10h liguei...liguei...liguei e voltei a ligar ..nada. Muito mais tarde dizem-me devia ter ligado mais cedo agora terá de ligar amanhã! Ok Voltei a ligar ...liguei...liguei.. e desisti! Tive de ir lá ou enviar a minha sogra das vezes que isto me aconteceu, pois infelizmente foi mais de que uma vez.

Estou novamente deslocada, mas não mudei o processo, para quê? Já fui assistida várias vezes e não tinha razão de queixa até estava contente por encontrar um centro que funcionasse em condições. Mas não! Tive de me dirigir a esse local de madrugada, enfraquecida pela doença, solicitei um comprovativo para entregar na entidade patronal ao que me responderam que não era possível aquela hora para passar mais tarde. Mais tarde não passei, não tive forças, passei no outro dia! Fui informada de que deveria ter pedido ao médico que me atendeu nesse dia, pois mas não sabia e ninguém me informou de tal quando pedia declaração, respondi eu! Então falei com o médico que antes quis que comprovasse que era ele que me tinha atendido, os funcionários comprovaram! Depois queria que marcasse consulta! Como! Marco consulta, fico uma manhã á espera para me passar uma declaração de que estive doente no outro dia??? Está tudo mal disposto ou quê, pensei eu. Felizmente, os funcionários deste centro ajudaram-me a resolver o problema que teve de ser exposto ao director do centro!

Estão cansado de ler isto! Imaginem então passarem por isto! Para que servem os centro de saúde? Talvez para aumentar as consultas de psiquiatria, sim fica-se maluco!!!!

11 setembro 2008

11/09/2001

Hoje assinalamos mais uma passagem sobre os acontecimentos que mudaram o mundo, até hoje, o acontecimento mais importante do século XXI ocorreu nos EUA, no dia 11 do mês de Setembro, do ano de 2001.

Foi algo a que o mundo assistiu quase em directo, ou em directo mesmo, a partir desse dia toda a gente ficou a saber onde ficava o Afeganistão, quem era Bin Laden e o que significava terrorismo. Mas será que sabemos mesmo?

Foi também em 2001 que ouvi pela primeira vez alguém a falar de uma coisa muito estranha, ligada ao 11/09, “conspiração interna”, na altura sorri, hoje quando me lembro disso, já não me apetece sorrir.

O que vi e investiguei criou a dúvida em mim, tanta coisa mal contada, mal explicada: aviões que não aparecem, torres que em vez de tombar desafiam as leis da física e caem, como que dinamitadas pela base, incêndios poderosíssimos que derretem vigas de aço, e passaportes que miraculosamente se salvam!

Termino com um apelo, um pedido, a todos quando lerem este post: se tiverem uma curiosidade minimamente palpitante procurem informação fora dos canais formais, e oficiais, de informação sobre o fenómeno do 11/09.

A verdade, cada um terá a sua, eu, tenho a dúvida, só isso...

O azar existe, existe mesmo!

10 de Setembro ficará na minha memória como o dia em que vi um grande jogo de futebol, o dia em que via Selecção portuguesa jogar um futebol alegre, bonito e muito bem jogado. Ficará também na minha memória este jogo porque Portugal perdeu.

O objectivo de qualquer jogo é ganhar, seja qual for o jogo, joga-se para ganhar, e quando se perde: a boca fica amarga, fica-se desconfortável, com uma sensação de mal-estar, de desagrado e de frustração, eu pelo menos fico dessa forma, por vezes pior ainda!

Portugal perdeu, e eu fiquei aborrecido, mas não triste ou desalentado, a tentar culpar imediatamente alguém: jogador, treinador ou o arbitro, hoje só culpei a sorte!

Neste último jogo da selecção perdemos, perdemos para uma equipa nacional, tal como a nossa, que veio para ganhar e que ganhou mesmo. A culpa? É da bola, é da sorte e do acaso, que fez milhares de pessoas ficar tristes, e outros milhares contentes.

Hoje Portugal perdeu, para a Dinamarca e para o azar, que esteve em campo, nos últimos minutos da partida, vestia de branco, com algumas listas vermelhas...

30 agosto 2008

A minha carta de alforria pesa 10g



A minha carta de alforria pesa 10g, mas o meu corpo pesa bem mais de uma tonelada! Na minha mente a liberdade aguarda-me, no meu corpo tenho cravados os sinais da escravatura. Aos meus senhores devo o que sou. Não! Devo o que me transformei - um cubo de gelo.
Para eles trabalhei noite e dia. De dia na realidade, de noite em sonhos alvoraçados que mais pareciam prognósticos do que seria o dia seguinte.

Havia! Há sempre o dia seguinte e o dia depois de amanhã, todos eles iguais em intensidade, iguais em crueldade, iguais em brutalidade. A cada nova manhã as mesmas caras - as dos meus senhores - que me olham com os grandes olhões da exploração, do desdém e da desvalorização com que sempre me olharam desde o dia em que me escravizaram.
No início, como em todos os inícios, a escravatura era boa, depois passou a ser suportável até que chegou ao dia em que insustentável é pouco. A mesma chantagem! A mesma falsa verdade de todos os dias.
Ainda querem que deva aos meus senhores aquilo que sou? Ainda querem que me coloque mais em baixo do jugo que já não suporto? Ainda querem que carregue mais tempo as toneladas que a cada dia me põem em cima dos ombros?

Não. Para mim basta. Bastou e bastaria bem menos. Chegou a altura de por um ponto final neste parágrafo da minha vida. Basta de exploração. Quero ser marcada com o selo da liberdade tal como fui marcada pelo selo da escravatura. Marca da qual não me posso libertar - liberto-me, sim, selo-me com marcas mais perenes, mais duradouras... as da liberdade.

21 julho 2008

Acordo Ortográfico

Portugal assinou hoje o acordo ortográfico, através da pena de sua excelência o Presidente da Répública. Para grande tristeza minha, é a confirmação de que Portugal é um País que deixou de ter referências, o que é estrangeiro é que bom e é que está na moda. Grande Eça de Queiróz já nos alertava para isso. A Espanha assinou um acordo ortográfico, Portugal tinha de inventar um também, mas a Espanha "impôs" um acordo a sua maneira, onde prevalece a lingua castelhana, sobre a dos "indigenas" (perdoem-me a expressão). Portugal tinha deinventar o seu acordozinho, mas à boa maneira portuguesa, a língua mãe, aquela que mais apego tem à sua língua originária - o latim - ficou de lado, onde a língua prevalecente é sim a "brasileira". De facto, Portugal esqueceu de vez as origens, os seus costumes, os seus avós.
Adeus meus amigos, este país não é pra mim, basta de estupidez, basta de esperteza saloia, de tacanhês. Basta. Vou emigrar. Não sei para onde vou, mas qualquer sitío deve ser melhor, do que habitar num navio que perdeu o rumo e anda à deriva no mar.

17 julho 2008

Aviso!

Caros autores do Artes & Manias,

Peço-vos que consultem o vosso e-mail de acesso ao blogue e respondam-me ao e-mail que vos enviei logo que vos seja possível.


Atenciosamente,
A Administração

12 julho 2008

A EQUIPA

Em breve mais um elemento se juntará ao Artes & Manias:

Ricardo Morgado - Línguas e Literaturas Modernas: Português/Alemão