Todos nós temos uma arte - uma área do conhecimento pela qual nutrimos mais paixão e que logo se torna um objectivo de vida. Juntando-lhe as manias ou particularidades próprias de cada um, obtemos uma mistura fina de matéria-prima cognitiva que vale a pena partilhar e discutir com os demais. Sob este título, revela-se um grupo de pessoas e um ponto de encontro virtual no qual todas as Artes & Manias têm espaço assegurado.

30 agosto 2008

A minha carta de alforria pesa 10g



A minha carta de alforria pesa 10g, mas o meu corpo pesa bem mais de uma tonelada! Na minha mente a liberdade aguarda-me, no meu corpo tenho cravados os sinais da escravatura. Aos meus senhores devo o que sou. Não! Devo o que me transformei - um cubo de gelo.
Para eles trabalhei noite e dia. De dia na realidade, de noite em sonhos alvoraçados que mais pareciam prognósticos do que seria o dia seguinte.

Havia! Há sempre o dia seguinte e o dia depois de amanhã, todos eles iguais em intensidade, iguais em crueldade, iguais em brutalidade. A cada nova manhã as mesmas caras - as dos meus senhores - que me olham com os grandes olhões da exploração, do desdém e da desvalorização com que sempre me olharam desde o dia em que me escravizaram.
No início, como em todos os inícios, a escravatura era boa, depois passou a ser suportável até que chegou ao dia em que insustentável é pouco. A mesma chantagem! A mesma falsa verdade de todos os dias.
Ainda querem que deva aos meus senhores aquilo que sou? Ainda querem que me coloque mais em baixo do jugo que já não suporto? Ainda querem que carregue mais tempo as toneladas que a cada dia me põem em cima dos ombros?

Não. Para mim basta. Bastou e bastaria bem menos. Chegou a altura de por um ponto final neste parágrafo da minha vida. Basta de exploração. Quero ser marcada com o selo da liberdade tal como fui marcada pelo selo da escravatura. Marca da qual não me posso libertar - liberto-me, sim, selo-me com marcas mais perenes, mais duradouras... as da liberdade.

21 julho 2008

Acordo Ortográfico

Portugal assinou hoje o acordo ortográfico, através da pena de sua excelência o Presidente da Répública. Para grande tristeza minha, é a confirmação de que Portugal é um País que deixou de ter referências, o que é estrangeiro é que bom e é que está na moda. Grande Eça de Queiróz já nos alertava para isso. A Espanha assinou um acordo ortográfico, Portugal tinha de inventar um também, mas a Espanha "impôs" um acordo a sua maneira, onde prevalece a lingua castelhana, sobre a dos "indigenas" (perdoem-me a expressão). Portugal tinha deinventar o seu acordozinho, mas à boa maneira portuguesa, a língua mãe, aquela que mais apego tem à sua língua originária - o latim - ficou de lado, onde a língua prevalecente é sim a "brasileira". De facto, Portugal esqueceu de vez as origens, os seus costumes, os seus avós.
Adeus meus amigos, este país não é pra mim, basta de estupidez, basta de esperteza saloia, de tacanhês. Basta. Vou emigrar. Não sei para onde vou, mas qualquer sitío deve ser melhor, do que habitar num navio que perdeu o rumo e anda à deriva no mar.

17 julho 2008

Aviso!

Caros autores do Artes & Manias,

Peço-vos que consultem o vosso e-mail de acesso ao blogue e respondam-me ao e-mail que vos enviei logo que vos seja possível.


Atenciosamente,
A Administração

12 julho 2008

A EQUIPA

Em breve mais um elemento se juntará ao Artes & Manias:

Ricardo Morgado - Línguas e Literaturas Modernas: Português/Alemão

24 junho 2008

Há coisas estranhas, não há (ou talvez nem por isso)?!


Em todos os anos em que estudei, desde a escola primária (sim, porque eu ainda sou do tempo em que havia escola primária) até à universidade sempre me habituei à grande dificuldade que toda a gente tinha com a matemática. É claro que alguns colegas mais, outros menos, eu tinha bastantes, mas toda a gente considerava a matemática como algo difícil e muito trabalhoso. Todos os anos os teste de matemática assustavam os alunos, quando chegaram os exames nacionais de matemática, no 12º ano, andava toda a gente em pânico, pois era certo e sabido que seria uma prova de grande dificuldade, e que hipotecava, muitas vezes e a muita gente, a entrada na universidade.

A verdade é que parece que a realidade se alterou profundamente, pelo menos a julgar pelos comentários dos jovens que fizeram ontem, dia 23/06/2008, o exame nacional de matemática. De todos os alunos examinados, entrevistados pelos três canais de televisão, não ouvi nenhum dizer que o exame era difícil, que estava preocupado e que temia pelo resultado de tanto tempo de trabalho. Pelo contrário, o que ouvi foram alunos descontraídos, que se afirmavam confiantes e que descreviam o exame como fácil, acessível e muito menos complicado do que os testes que foram fazendo ao longo do ano! Talvez esta seja uma geração de alunos que não encontram dificuldades na matemática, apesar de todas as manifestações de professores que decorreram este ano lectivo os resultados vão ser fantásticos. Passei todo o dia com estes pensamentos, convencido que Portugal era agora um país de "pequenos génios matemáticos", e a tentar perceber porque razão os alunos da minha geração tiveram tantas, sempre, tantas dificuldades com esta mesma disciplina, acabei conformado, e confiante que seria responsável por tão grande evolução a reforma da educação.

Chegados os noticiários das 20 horas apercebi-me que afinal tudo era uma ilusão. Afinal a comunidade científica já tinha vindo condenar o exame, porque afinal era mesmo muito fácil. A minha esperança de viver num país de "pequenos génios matemáticos" desmoronou-se como um castelo de cartas ao vento. A minha esperança de que as reformas governativas na educação tivessem realmente a responsabilidade do sucesso dos alunos esbateu-se, era tudo uma ilusão.

Ou será que não, será esta a grande reforma da Educação?!
Colocamos os exames mais fáceis, os alunos passam a tirar grandes notas e fica toda a gente feliz?!

Deixo as estas duas questões à consideração de quem as quiser responder, e um desabafo: há coisas estranhas, não há (ou talvez nem por isso)?!

05 junho 2008

Porquê insistir em comer a Terra?

Vivemos cada vez mais numa sociedade descartável. Onde tudo se compra e se deita fora. Vivemos numa sociedade da embalagem seja ela de vidro, de cartão ou de plástico a única certeza que fica é que depois de a utilizarmos a deitaremos fora, sem mais...

São as embalagens de leite. Ainda sou do tempo em que as pessoas da minha aldeia faziam fila à porta da vacaria do tio Manuel com um fervedor na mão para ser enchido de leite bem fresquinho. Hoje essas mesmas pessoas vão aos hipermercados bem longe da minha aldeia encher os carrinhos e depois os carros de embalagens e embalagens, algumas de leite que o tio Manuel continua a produzir...

São as embalagens de refrigerantes. Há uns 10 anos andava eu a ir à venda da tia Zeca comprar gasosas ou laranjadas para a minha avó que já não podendo, me encarregava de ir lá e pedir à tia Zeca 2 ou 3 garrafas de laranjada... Não saía de lá sem a recomendação de não me esquecer de depois lá levar as garrafas: "O filhinha não te esqueças". Hoje em dia, infelizmente, já não carrego com aquele saco de couro meio acastanhado da minha avó... Hoje vou ao supermercado e trago 2 ou 3 garrafas de plástico com gasosa e depois de se beberem acabam no lixo... como tantas outras embalagens!

São as embalagens de fraldas. Quando eu nasci... A minha mãe tinha de lavar as fraldas de 2 fedelhos que teimaram em nascer ao mesmo tempo. Hoje as mães vão aos hipermercados e trazem um pacote de fraldas de umas tantas unidades. Pacote esse que vem sempre muito bem acondicionado... o melhor mesmo é embrulhar em plástico e por fora uma mega embalagem de cartão onde se lê em letras bem gordas promoção ou então leve X e pague Y.

São as embalagens de cerveja. Há uns anos atrás a minha mãe quando havia mais gente cá em casa mandava-me à tia Neves (deixamos de ir tanto à tia Zeca) buscar uma grade de cervejas... Como era pequena íamos os dois manitos todos contentes rua abaixo até à vende e depois traziamos para casa a dita grade de cervejas. A recomendação da tia Zeca era-nos também dada pela tia Neves: "filhinhos depois trazei cá a grade!". Hoje vamos a um qualquer hipermercado e trazemos debaixo do braço umas quantas garrafas de minis. Estas vêm sempre bem acondicionadas, envoltas numa bela embalagem de cartão que há-de ter sempre uma qualquer promoção: "Viaje grátis com a XPTO".

A acompanhar todas estas embalagens. Depois de paga a conta ainda trazemos para casa uma multiplicidade de sacos e saquinhos de plástico, gentilmente cedidos por uma qualquer multinacional do comércio! O saco da minha avó continuará pendurado na sua velhinha cozinha...

E com todas estas evoluções... Foram-se as vendas. Foram-se as entregas das embalagens. Acumulamos todos os dias nas nossas casas em sem número de embalagens de plástico, cartão e vidro que ao fim e ao cabo não sabemos muito bem o que fazer delas. Ou sabemos? RECICLAR é parte da solução.

Hoje é dia mundial do ambiente. Dia de fazer balanços. Dia de fazer contas às contas que temos a acertar com o planeta.


Porém esta é só uma parte do problema e da solução. Esta é o fim de linha!

No início dessa mesma linha estão os produtos. Será que tudo aquilo que compramos nos faz, efectivamente, falta. Se olharmos para a nossa lista de compras mensais com atenção somos bem capazes de lá encontrar coisitas que por serem coisitas não nos fazem assim tanta falta como isso. O ideal será REDUZIR o nosso consumo.

Em relação a todo o lixo que levamos para casa sempre que saímos dos hiper´s há também muito que podemos fazer.... Por exemplo, os kg e kg de sacos que as catedrais do consumos nos dão todos os anos podem muito bem ser utilizados para levar até ao ecoponto mais próximos os restantes kg e kg de resíduos que produzimos diariamente. Outro bom exemplo são os jornais que para além de serem colocados no ecoponto azul são um belíssimo papel de embrulho. Com estes pequenos gestos estamos a REUTILIZAR resíduos que de outro modo acabariam no lixo.




Hoje, especialmente, é dia de fazermos um balanço. De repensarmos as nossas atitudes perante o planeta Terra que insistimos em devorar a cada dia que passa.

Desenho roubado aqui.

12 maio 2008

A “Nova Rússia”

“Putin” governou o país de forma dura, e mais ou menos democrática, a liberdade e democracia ainda estão longe de chegar ao país mais extenso do mundo. Durante os anos de governo do antigo agente do KGB foram detidos centenas de cidadãos russos, com acusações e condenações rápidas as vozes mais criticas foram silenciadas. Ficou famosa a detenção daquele que, foi, o homem mais rico da Rússia (“Mikhail Khodorkovsky”), cujo único erro foi apoiar o rival de “Putin” nas eleições que se aproximavam, corria o ano de 2003. Durante muito tempo noticiou-se a prisão do empresário russo, a sua defesa em tribunal, as sucessivas acusações de que era alvo e a importância política que tudo isto tinha na Rússia, no entanto, a “máquina” conseguiu fazer esquecer o nome, a fortuna essa, a máquina apoderou-se dela e o homem, esse está, segundo a versão oficial, algures na Sibéria numa prisão. Quem é que, durante anos a fio, gostava muito de enviar os seus opositores para a Sibéria? Pois, Estaline!

Desde que acabou a URSS a “Nova Rússia” nasceu, mas nasceu de forma difícil, e com estigmas do passado, dos quais ainda não se libertou, e dos quais vai ter muita dificuldade para se libertar. A sucessão política (por exemplo) russa ainda se faz muito à moda do passado, se não vejamos: após a queda da URSS o primeiro presidente da Rússia foi "Boris Yeltsin", que governou o país da melhor forma que conseguiu, ou que lhe foi possível, teve um papel importantíssimo numa das transições mais difíceis, e importantes, da história do país. A sua sucessão foi feita em jeito de “passagem de testemunho”, para "Vladimir Putin" seu “delfim político. O antigo agente do KGB, de quem já falamos, por sua vez, fez o mesmo que lhe fizeram a ele, ou seja escolheu para o suceder o seu “homem de confiança”, e seguidor político”, “Dmitry Medvedev”. Apesar de que, “Putin”, não se afastou da política, e ficou confortavelmente como primeiro-ministro, observando e controlando o poder de perto, dizem alguns.

A Rússia engalanou-se para a tomada de posse do novo presidente, e realçou, claramente, a passagem dos códigos nucleares para o novo Chefe de Estado, sob a forma da, quase, mítica mala do poder nuclear. Como se isto não fosse o bastante, a primeira iniciativa do novo presidente foi assistir a uma parada militar, como já não se via há muitos anos, a fazer lembrar os tempos da URSS.

A “Nova Rússia” do Século XXI, tal como o seu “brasão de armas” olha o ocidente e o oriente, mas agora com cuidado, e parecendo querer dizer que o poder de outrora ainda não esmoreceu, como alguns acreditam, mas sim, que está fortalecido!

25 abril 2008

"Quem não conhece o passado está condenado a repeti-lo.”

Hoje é dia 25 de Abril!

Mais uma vez, comemoramos o dia da "Revolução" de 1974, o dia em que o país se libertou das amarras do "estado novo", o dia em que o pais respirou livremente.

Passados todos estes anos, será que todos os portugueses sabem porque é feriado hoje? Será que quem, como eu, nasceu depois de 1974 sabe o que aconteceu, e porque aconteceu? Será que alguém se recorda daqueles que fizeram a "revolução", alguém sabe o nome de, pelo menos um, dos revolucionários?

Alguns sim, mas tenho a triste sensação de que uma grande parte dos portugueses de hoje sabe que o dia 25 de Abril é feriado, mas porquê, isso já não interessa...

Espero que o nosso país nunca conheça o, amargo, significado do título deste "post", muito menos que tenha alguma coisa a ver com o dia de hoje.

Cumprimentos, e votos de uma vida em liberdade para todos.

18 abril 2008

Politica Nacional

Ao fim de 6 meses de mandato Luis Filipe Menezes apresenta a sua demissão como lider do maior partido da oposição. Menezes apareceu como um D. Sebastião que ia mudar a politica nacional e a politica do PSD, mas em apenas 6 meses apresentou a sua demissão fruto de muitas guerras internas.
Quem será o senhor ou senhora que se segue?! Será Marcelo Rebelo de Sousa?! Será Manuela Ferreira Leite?! Ou então Rui Rio?!
Vamos ficar aguardar por novos desenvolvimentos, mas com isto tudo quem fica a ganhar com estas guerras internas é o PS e o Governo.

16 abril 2008

Hospitais Portugueses

Recentemente, tive uma situação nas Urgências do Hospital de Famalicão e que não poderia deixar em branco.
Em Portugal muito mal se tem falado da saúde e da sua organização, mas o que o venho aqui deixar é uma palavra para todos os médicos, enfermeiros e auxiliares que executam o seu trabalho de uma forma espectacular e sempre prontos a ajudar e a fazer os possiveis pelo doente.... Só queria agradecer a todos o que me aturam e um muito obrigado pelo carinho que me deram. São sem duvida grandes profissionais, que às vezes com muito pouco dão muito de si e fazem verdadeiros milagres.
E por falar em organização dos hospitais, podia dar-se uma olhadela ao Brasil e ver como certas situações são resolvidas, acho que ficariamos a ganhar.